
Numa altura em que Portugal ascendeu ao terceiro lugar do ranking da FIFA (melhor posição de sempre), Cristiano Ronaldo deixa a receita para o sucesso da selecção no mundial. Uma conversa com a VISÃO, tida em Madrid, durante a apresentação do novo equipamento nacional, em que o craque considerou o Benfica como a "melhor equipa portuguesa da actualidade"
Estamos em vésperas de um mundial e fazendo a pergunta ao contrário, o que é que Portugal não pode fazer para ter sucesso?
Não pode cometer erros infantis, não pode deixar de lutar e de acreditar. Temos de ter um pensamento positivo e acreditar que tudo é possível. A primeira fase vai ser complicada, mas a partir daí tudo pode acontecer...
Que erros infantis são esses?
É fácil, todos sabemos que uma equipa só funciona quando os jogadores conhecem a sua função dentro do campo. Não se pode esperar que um defesa saia a driblar. Cada um tem de fazer o que o treinador pede, de acordo com as características de cada jogador e de modo a aproveitá-las da melhor forma.
O que representa esta presença no mundial?
Uma oportunidade de ouro para todos nós, especialmente depois do que passámos na fase de qualificação. Houve alturas em que equacionámos poder falhar o mundial, pelo menos a mim passou-me isso pela cabeça. Mas conseguimos a qualificação e agora só queremos dar uma resposta positiva. Vamos ter bastantes dias no estágio para trabalhar juntos, se calhar demasiados (risos), e isso é importante para o espírito de grupo e para o treinador conhecer melhor os jogadores e criar uma base de jogo.
Apesar do mau início, os últimos jogos da qualificação e o próprio Play-off com a Bósnia já mostraram uma selecção mais próxima do que nos habituou. Essa evolução é para manter no mundial?
Espero bem que sim. Por vezes, quando há muitas mudanças de jogadores a equipa não rende logo o máximo. Na minha opinião foi isso que aconteceu com Portugal. Isso sentiu-se no início...
Já participou em europeus e mundiais, foi eleito o melhor jogador do mundo, joga num dos maiores clubes do mundo. O que é que sente hoje ao jogar um campeonato do mundo, comparando, por exemplo, com a sua estreia numa grande competição, o Euro 2004?
É sempre especial, quase como se fosse a primeira vez. É óbvio que é diferente, mas não deixa de ser especial. Para mim é um orgulho e uma grande motivação estar novamente num mundial. Claro que a minha experiência é hoje muito maior que em 2004, o que é positivo pois muitas vezes as grandes competições definem-se em pequenos detalhes.
Este grupo é comparável com o de 2004 e 2006, que chegou à final do europeu e às meias-finais do mundial?
É diferente. O grupo de 2004 era mais experiente, com jogadores mais velhos e com maior currículo que aqueles que temos actualmente, mas em termos de qualidade é muito parecido. É complicado comparar um grupo com o outro. A actual equipa é muito jovem e já demonstrou que, muitas vezes, a juventude corre mais que os jogadores experientes. De qualquer forma penso que uma boa equipa se faz sempre da mistura de juventude com experiência. Acho que Portugal tem um pouco isso...
Chegar à África do Sul como campeão espanhol seria uma motivação acrescida. Ainda acredita que o Real Madrid pode chegar ao título?
Claro. Ainda faltam 4 jogos e acho que ainda pode haver surpresas. O Barcelona vai ter alguns jogos difíceis e espero que percam alguns pontos, enquanto nós temos de ganhar todos os jogos. Pessoalmente, ainda tenho esperança de ser campeão.
Fonte Visão












