
Edinho, avançado de 26 anos, fala da emoção sentida na estreia pela Selecção, da convicção no apuramento para o Mundial’2010 e das críticas ao seleccionador. Em 2008, esteve perto do Benfica mas acabou por assinar pelo AEK, da Grécia, onde admite não se sentir feliz
Correio Sport – Estreou-se pela selecção nacional no particular com a África do Sul, disputado a 31 de Março, na Suíça. O que mudou desde esse dia?
Edinho – Sinceramente, nem eu sei bem. Aumentou, sobretudo, o carinho das pessoas, que me felicitaram bastante por ter alcançado esse grande objectivo.
– Que memória guarda dessa sua estreia?
– O momento em que pisei o relvado com a nossa camisola e pensei: ‘Estou a concretizar um sonho’. Tudo o resto foi mágico.
– E até marcou um golo... dividido com o defesa sul--africano Lucas Twala.
– Foi um golo meu. Ele pensava que não tinha ninguém nas costas, apareci de repente, e ainda toquei com a ponta da bota na bola. Melhor era impossível. Senti uma emoção enorme. Por mais que queira, não consigo descrevê-la.
– O número 13, que utilizou, acabou por dar-lhe sorte. O que fez a essa camisola?
– Pedi a todos que a assinassem e mandei emoldurar. É uma grande recordação para o futuro.
– O seleccionador, Carlos Queiroz, também assinou?
– Sim, todo o pessoal do staff da Selecção o fez.
– O que lhe disse o seleccionador nacional depois dessa partida?
– As palavras do mister Queiroz incentivam qualquer jogador. Além de me dar os parabéns pelo que tinha conseguido, ainda me deu força. Disse-me que continuasse com o bom trabalho para, assim, poder regressar .
– Acredita que vai voltar?
– Não tenho razões para pensar outra coisa. A minha ambição não se resume apenas a uma internacionalização, é mais do que isso. Consegui chegar até aqui por mérito e vou continuar a lutar para servir o meu país.
– Sonha, portanto, estar no Mundial de 2010, na África do Sul...
– É uma grande meta. Seria, efectivamente, fantástico.
– Mesmo com as contas do apuramento, de facto, muito complicadas?
– Acredito. Nada é impossível. A qualificação está complicada mas não perdida. Vamos ter de lutar até ao fim mas vamos conseguir. Encontrei um grupo batalhador e com mentalidade vencedora.
– O que não ficou provado com o empate (0-0), no Dragão, frente à Suécia...
– Nunca abdicamos de jogar para vencer. Também tivemos algum azar. Ninguém mais do que nós queria ganhar aquele jogo.
– Por isso, o seleccionador começa a ser contestado. O que sente o grupo?
– Isso não ajuda , apenas prejudica. Com essas pressões, acabamos por não ter a tranquilidade necessária para trabalharmos com calma.
– As palavras de Ronaldo – 'Se todos fizessem o que eu fiz seríamos campeões do Mundo' – caíram mal?
– Não me apercebi de nada. Admito que possa haver quem tenha interpretado mal essas declarações, as quais, no meu entender, não quiseram pôr em causa o brio e o empenho de todos os outros elementos da Selecção.
– Que opinião tem dele?
– Ronaldo é um líder e, acima de tudo, um grande guerreiro.
– Mas concorda que há um Ronaldo no Man. United e outro, diferente, na Selecção?...
– São realidades diversas. No Manchester tem um estilo de jogo que se adapta melhor às suas características. Já a Selecção ainda está em fase de renovação. Isso também conta. Mas, como português, tenho a certeza de que a sua ambição de dar tudo por Portugal está sempre no limite.
– Debate-se muito a falta de avançados portugueses goleadores. Liedson (Sporting) é uma boa opção?
– Se for bom para o grupo e para o País, não me oponho.
– Sente-se, aliás, ameaçado com essa possibilidade?
– Tenho confiança no meu valor e no meu trabalho. Essa questão dos avançados é bastante falada mas, na verdade, temos bons executantes. Talvez a melhor solução, numa perspectiva de futuro, seria repensar a política de aproveitamento dos jogadores portugueses. Fonte Correio da Manhã
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